segunda-feira, 26 de abril de 2010

Infinda Desigualdade



Pense rapidamente em uma dor ou doença incurável. Mas não porque a cura não tenha sido descoberta, mas os que a acharam decidiram simplesmente virar a cara, deixar esta doença aparentemente insanável por mais algumas décadas ou séculos. Não somente isto, o seu tratamento se tornou prioritário na agenda de muitos fóruns e movimentos pelo mundo. Eis aí o quadro da desigualdade social, um câncer que corrói as sociedades contemporâneas. 

     Diante das leis do atual mercado global não podia ser diferente. Após o discurso apaixonado das democracias até o séc. XX – que significaria a constituição de um Estado hábil para garantir ao povo seus direitos e liberdades civis, assembléias representativas eleitas por sufrágio universal, mediação de diálogo com autoridades –, hoje o sentimos sufocado por uma realidade afetada por um neoliberalismo caótico. Há essa altura, ipso facto, tudo acaba virando negócios, e vai a uma dimensão na qual não conseguimos imaginar. Os próprios regimes democráticos se mostraram medíocres ao longo da história para atender às necessidades da população mundial, não por falta de recursos, mas de competência. 

     Atualmente as grandes empresas ditam as regras. O fluxo do capital no mundo globalizado sempre será a lógica dominante, como numa ditadura cruel. Olhamos pra cima pra ver se ainda há céu, porém estamos atados a este ciclo. Por isso mesmo, se um império como o da “China comunista” negocia com a maior produção petrolífera mundial, a África, é para realizar o que é muito evidente: negócios! Aposte que a erradicação da pobreza, um dos sintomas que gera a desigualdade, não estará em pauta. Muito do discurso das maiores potências do globo é só para atrair os governantes que lhes ajudarão a saciar suas necessidades caseiras. São cenários como este que fez o sociólogo Milton Santos declarar: “não há humanidade, nunca houve”. Parece que nunca paramos para atentar para tal verdade.

     Como resultado nos deparamos com o capital preso nas mãos de uma minoria de 20% da população mundial. E quando nos querem de olhos vendados para tal crime, colocam o racismo como o verdadeiro culpado. 

     Projetos e planos mirabolantes têm de sobra. Talvez um dos mais caros é a nova empreitada da NASA para levar o homem a Marte. Seria mais ou menos 18 bilhões de dólares que custaria para o homem pisar neste planeta até 2020. E quanto à má distribuição de renda? E quanto à pobreza? Há algum prazo para erradicá-la? Não porque nos acostumamos a conviver com ela. Tudo que é preciso fazer é virar a cara. Aí podemos continuar produzindo o que sempre fomos sábios em produzir: o Terceiro Mundismo. E mostrar que continuamos muito bem nos cálculos, projetos, conferências e fóruns mundiais para curar, sabe Deus quando, essa interminável desigualdade.