A tradição que jamais se resistiu em se repetir de geração em geração acerca das Sagradas Escrituras, são as palavras que profetas, pensadores, mestres, reis, cientistas, escritores, políticos proferem para defini-la. A fila para se declarar algo a respeito dela é imensurável, quase incontável, de forma que a História decide devorar muitas dessas declarações até torná-las atemporais. “Desejo declarar, senhores, que a Bíblia não é nem antiga nem moderna, ela é eterna”, disparou Carlos Alberto Ferreira, Dr. em Teologia e Dir. Geral da UniCristã, na comemoração do Dia da Bíblia na Assembléia Legislativa da Bahia (ALBA).
A propósito de tantas alcunhas e de tudo que se dirá sobre a Bíblia, ela parecia, de fato, se eternizar na Assembléia Legislativa, sessão proposta pelo deputado Pr. José de Arimatéia (PRB) e bem acolhida pelo presidente Marcelo Nilo (PDT). “Este é o dia em que a ALBA se torna a casa de Deus. Iremos deixar registrado nesta Casa a importância do trabalho evangélico através da Palavra de Deus na sociedade”, ressaltou Arimatéia.
Homenagem repleta de calor eclesiástico, ao som da banda Timbaleiros de Cristo, da Fundação Doutor Jesus, criada pelo deputado Pr. Sargento Isidório (PSB), a ALBA recebeu pastores, bispos, diáconos, obreiros de mais de 20 congregações. Através do Canal Assembléia a sessão pôde ser transmitida ao Brasil e ao mundo inteiro pela internet. “Além de tratarmos aqui de um assunto tão importante quanto a Bíblia, certamente irá tocar os corações que precisam de uma mensagem”, afirmou o parlamentar.
Ao dar o primeiro pronunciamento no plenário, o deputado José de Arimatéia recordou que a data é comemorada no segundo domingo do mês de dezembro. Ela foi estabelecida pelo bispo Cranmer em 1549, ao registrá-la no livro de orações do Rei Eduardo VI. Contudo, a primeira manifestação pública no Brasil, só ocorreu quando foi fundada a SBB, em 1948. A tradição histórica revela que não só no segundo domingo de dezembro é comemorada, mas durante as duas semanas que antecedem a data.
A celebração do Dia das Letras Sagradas é insuficiente para tal causa este ano. Os números revelam que este é um ano histórico, oferecendo a seus amantes razões formidáveis para celebrá-la: 100 milhões de Bíblias distribuídas pela Sociedade Bíblica Brasileira (SBB) até o mês de junho em mais de 15 idiomas. Desta marca, 23 milhões serviram para 105 países.
Através de um leilão no mês de setembro, na casa New Hampshire (EUA) – associação americana sem fins lucrativos – se tornou conhecida a Bíblia da Lua, liberada ao astronauta Edgar Mitchell, a bordo do Apollo que decolou em 14 de fevereiro de 1971. A Bíblia da Lua foi produzida pela Liga de Oração Apollo, formada por gestores, cientistas e astronautas liderados pelo capelão John Sout.
A sessão também foi surpreendida pelo humor do deputado Pr. Sargento Isidório, que chamou atenção para um costume da cultura popular, a solicitação de um monumento à Bíblia no Dick do Tororó. “Pedi no primeiro mandato e fui criticado pela imprensa, mas não por Jesus. No segundo mandato já dei entrada, e creio que poderemos ter o monumento da Bíblia para a glória de Deus”, afirmou.
Relevância
A relevância do grande Livro Sagrado ficou a cargo do Pr. Carlos Alberto Ferreira, que com excelência presenteou a ALBA com uma explanação da inspiração, formação, resistência e importância das Escrituras. Ao início do pronunciamento citou o apóstolo Paulo: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil ao ensino” (2Tm 3.16). O Pastor explica que a inspiração da palavra provém do sopro divino. “A todos quantos ela atinge é impossível permanecer o mesmo. Assim como Jesus dividiu a história da humanidade, quem quer que mantenha contacto com a Bíblia, encontra sua vida dividida em antes e depois dela”.
Quanto à história, o Pr. Carlos relembrou trajetória das Escrituras desde o Monte Sinai, onde Deus falou com Moisés até os dias de hoje. E recorda que desde o tradutor Jerônimo (séc. IV), editor da Vulgata, até Martinho Lutero (séc. XVI), ela sofreu intensa resistência. “Este livro possui muitos martelos querendo destruí-la, mas ela é a bigorna que destrói todos os martelos”, argumentou.
A saborosa ironia da história também foi recapitulada pelo Dir. da UniCristã, que relembrou o fato do renomado Voltaire ter sentenciado o desaparecimento do Livro Sagrado em 100 anos. “A casa do famoso Voltaire hoje é a sede da Sociedade Bíblica de Genebra. Voltaire passou, mas a palavra permanece para sempre. Deus não é só Senhor da nossa congregação, mas da história”, completou.
Ao término da festa, 17 pastores foram homenageados com placas honoríficas, pelo destaque na propagação do Evangelho de Cristo. Além do Pr. Carlos ter sido homenageado, estava também um dos mais antigos líderes evangélicos da Bahia, o Pr. Adalfredo Santana, com 61 anos de ministério. 12 Bíblias foram sorteadas. Segundo o deputado José de Arimatéia, “um parlamento como a ALBA não poderia deixar de ter uma sessão especial para refletir sobre a importância da Palavra de Deus, por ser um lugar onde se discute vários temas”, explicou.
Lista das congregações representadas:
Ig. Universal do Reino de Deus, Ig. Bíblica Peniel, Ig. Apostólica Internacional Nova Jerusalém, Ig. Batista das Nações, Ig. Assembléia de Deus de Madureira, Ig. Missionária Shekiná, Ig. Batista Maranata, Ig. Batista Vasco da Gama, Ig. Nacional da Fé em Deus, Ig. Jesus Cristo o Renovo, Ig. Casa de Oração Mensagem de Deus, Ig. Evangélica Assembléia de Deus da Boca do Rio, Ig. Batista Missionária Fonte das Águas Vivas, Ig. do Evangelho Quadrangular, Ig. Batista Adoração de Feira de Santana, Ig. Assembléia do Poder de Deus e do Fogo, Ig. Nova Israel, Ig. Batista Filadélfia, Ig. Templo de Restauração de Cristo e Ig. em Salvador.