terça-feira, 25 de outubro de 2011

Cidade de Davi: as pedras que reavivam as Sagradas Letras



A história bíblica, envolvente em muitos sentidos, nos leva a uma aventura imensurável, a qual jamais hesitariam de chamá-la de poço sem fundo, provocados pelo espanto da descoberta. E “descobrir“ seria o verbo preciso para lidar com a cultura das Escrituras, como uma lente que se presta a convidar a história a reviver, seja pela arqueologia bíblica – as escavações que recupera a antiguidade –, seja pela cultura cristã – o acesso à inspiração divina a fim de não somente interpretá-la, mas devorar suas riquezas.

A arqueologia contemporânea explora às proximidades do rio Giom e a sudeste da região do Monte do Templo, no Oriente, a Cidade de Davi, as ruínas que atestam o surgimento da Jerusalém israelita há mais de 3 mil anos. Ao estabelecê-la como a capital unificada das tribos de Israel, o rei Davi fez nascer o que hoje atrai mais de 350 mil pessoas todos os anos, segundo a City of David Foundation (Fundação Cidade de Davi). 
 
Dedicada à preservação e ao desenvolvimento da cidade bíblica desde 1986, a Fundação está engajada em quatro empreendimentos: escavações arqueológicas, turismo, programas educacionais e revitalização residencial. As atividades tomam dimensões no Parque Nacional da Cidade de Davi, no extenso passeio público Armon Hanatziv e no Monte das Oliveiras. “É como se achássemos a Bíblia pela primeira vez. Você pode seguir a Bíblia linha a linha e reviver as cenas”, diz Doron Spielman, porta-voz da Fundação.

Dentro dos seus muros senis, encontra-se o intenso eco de uma cidade histórica e profética. É nesta cordilheira sulina de Israel que Davi escreveu seus Salmos.  E na sucessão do seu trono, Salomão construiu o Santo Templo. Foi onde trovoaram as profecias de Jeremias e Isaías. Onde Neemias, tirsata da Judéia, reedificou suas muralhas em meio a grande oposição após o retorno da Babilônia, a qual fez dos judeus filhos do cativeiro. Há cerca de 2,000 anos, foi palco do maior espetáculo da humanidade, o calvário do Cordeiro de Deus, Jesus. “Aqui está uma revolução onde o mundo arqueológico e o mundo das Sagradas Letras se entrecruzam, de forma tal que não acontece em mais lugar algum”, explica Spielman.   

As constantes atividades de escavações promovem achados formidáveis, que dão consistência à história e cultura escriturísticas. A descoberta das ruínas do palácio de Davi, escavação liderada pelos arqueólogos Eilat Mazar e Gabi Barkai, é datada cerca de 1,000 anos a. C. Há também o túnel construído no séc. VII a. C. para proteger o suprimento de água da cidade contra o assédio do rei assírio Senaqueribe – denominado pela arqueologia de Túnel de Ezequias.

Ainda há alguns anos, a arqueologia revelou o Tanque de Siloé, o qual foi mencionado por Neemias e depois no Evangelho de João, onde Jesus cura um cego de nascença. Esta escavação levou o time do arqueólogo Ronnie Reich à descoberta do caminho que conduz do tanque até a área do Monte do Templo, cujo registro bíblico mostra onde Jesus caminhou para a comemoração do Pesach (Páscoa). “Simplesmente posso ver que ele caminhava por aqui. Não há outro caminho do tanque de Siloé ao Monte do Templo. Essa é a via”, disse Reich.

Irresistível é admitir que a Cidade de Davi, a qual as Escrituras outrora chamava de Sião, se tornou incomparável a outras cidades. Nas esquinas e praças presenteadas pelo movimento de inúmeros turistas, constata-se a presença onírica do espírito da realeza davídica. Assim como Isaías insistia em sua canonização: Desperta, desperta, reveste-te da tua fortaleza, ó Sião; veste-te das tuas roupagens formosas, ó Jerusalém, cidade santa (Is 52.1). “Esta é uma Disney bíblica que é real. Você pode tocar as pedras, o texto, e quase pode vislumbrar os personagens bíblicos caminhando contigo neste tour”, completa Spielman.